quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O grilo e a moeda
Em tempo de tanto ruído de "natal", onde até a solidariedade para com os mais pobres corre o risco de ser convertida num "consumível", vale a pena estarmos atentos à afinação da nossa sensibilidade...
Esta é uma estória que nos alerta para isso.
Um sábio indiano tinha um amigo íntimo que vivia na grande cidade de Barcelona. Tinham-se conhecido na Índia, onde o espanhol tinha ido com a sua família num cruzeiro turístico. O indiano tinha feito de guia aos passageiros espanhóis, levando-os a visitar os lugares mais típicos do seu país.
Agradecido, o amigo espanhol tinha convidado o indiano para sua casa. Queria corresponder ao favor, mostrando-lhe também a sua cidade. O sábio indiano foi-se escusando, mas por fim cedeu à insistência do seu amigo, e um belo dia tomou o avião e aterrou no aeroporto de Barcelona.
No dia seguinte, o espanhol e o indiano estavam juntos a passear pelo centro da cidade. O indiano, com a sua cara escura cor de chocolate, com barba negra e turbante amarelo, atraía os olhares das pessoas. E o espanhol caminhava orgulhoso de ter um amigo tão exótico.
De repente, numa das avenidas mais movi-mentadas, o indiano parou e disse:
- Ops!, estás a ouvir o que eu estou a ouvir?
O espanhol, um pouco surpreendido, aguçou o ouvido quanto pode, mas confessou que não ouvia mais que o ruído do trânsito e das pessoas que passavam.
- Pois aqui próximo está um grilo a cantar, disse o indiano seguro de si mesmo.
- Enganaste-te, de certeza -, respondeu o espanhol. - Eu só oiço o motor dos carros e o barulho da cidade. E além disso, o que estava um grilo aqui a fazer?
- Tenho a certeza. Oiço um grilo a cantar -, respondeu o indiano e, sem pensar duas vezes, pôs-se a procurar entre as folhas de uns arbustos e ervas que ali havia.
Pouco depois apontava para um magnífico grilo cantador, que se escondia entre as folhas, aborrecido com quem lhe vinha estragar o concerto!
- Vês como era um grilo? -, disse o indiano.
- Tens razão -, admitiu o espanhol. -Vós, os indianos, tendes um ouvido muito mais apurado que nós, os europeus...
- Enganas-te -, respondeu-lhe o indiano sorrindo. Repara bem... E o indiano tirou do seu bolso uma pequena moeda e, como que por descuido, deixou-a cair na calçada.
Logo quatro ou cinco pessoas viraram a cabeça!
- Viste? -, continuou o indiano. - A moeda ao cair fez um barulho muito mais curto e muito mais fraco que o canto do grilo. E reparaste como os europeus o ouviram?
(Bruno Ferrero, El canto del grillo)
Esta é uma estória que nos alerta para isso.
Um sábio indiano tinha um amigo íntimo que vivia na grande cidade de Barcelona. Tinham-se conhecido na Índia, onde o espanhol tinha ido com a sua família num cruzeiro turístico. O indiano tinha feito de guia aos passageiros espanhóis, levando-os a visitar os lugares mais típicos do seu país.
Agradecido, o amigo espanhol tinha convidado o indiano para sua casa. Queria corresponder ao favor, mostrando-lhe também a sua cidade. O sábio indiano foi-se escusando, mas por fim cedeu à insistência do seu amigo, e um belo dia tomou o avião e aterrou no aeroporto de Barcelona.
No dia seguinte, o espanhol e o indiano estavam juntos a passear pelo centro da cidade. O indiano, com a sua cara escura cor de chocolate, com barba negra e turbante amarelo, atraía os olhares das pessoas. E o espanhol caminhava orgulhoso de ter um amigo tão exótico.
De repente, numa das avenidas mais movi-mentadas, o indiano parou e disse:
- Ops!, estás a ouvir o que eu estou a ouvir?
O espanhol, um pouco surpreendido, aguçou o ouvido quanto pode, mas confessou que não ouvia mais que o ruído do trânsito e das pessoas que passavam.
- Pois aqui próximo está um grilo a cantar, disse o indiano seguro de si mesmo.
- Enganaste-te, de certeza -, respondeu o espanhol. - Eu só oiço o motor dos carros e o barulho da cidade. E além disso, o que estava um grilo aqui a fazer?
- Tenho a certeza. Oiço um grilo a cantar -, respondeu o indiano e, sem pensar duas vezes, pôs-se a procurar entre as folhas de uns arbustos e ervas que ali havia.
Pouco depois apontava para um magnífico grilo cantador, que se escondia entre as folhas, aborrecido com quem lhe vinha estragar o concerto!
- Vês como era um grilo? -, disse o indiano.
- Tens razão -, admitiu o espanhol. -Vós, os indianos, tendes um ouvido muito mais apurado que nós, os europeus...
- Enganas-te -, respondeu-lhe o indiano sorrindo. Repara bem... E o indiano tirou do seu bolso uma pequena moeda e, como que por descuido, deixou-a cair na calçada.
Logo quatro ou cinco pessoas viraram a cabeça!
- Viste? -, continuou o indiano. - A moeda ao cair fez um barulho muito mais curto e muito mais fraco que o canto do grilo. E reparaste como os europeus o ouviram?
(Bruno Ferrero, El canto del grillo)
domingo, 28 de novembro de 2010
O workshop do Seixo da Beira
O workshop de ontem, no Seixo da Beira, teve a presença de mais de trinta e cinco jovens, que trabalharam em grupos a problemática da pobreza. Foi um bom momento do Projecto Verde Pino, pelo número de jovens envolvidos, pela participação dos parceiros locais que os mobilizaram e pelo trabalho desenvolvido. Enquanto os mais novos trabalharam dois pequenos vídeos, um testemunho e uma história para apresentação em plenário, os mais velhos trabalharam um "MANIFESTO" sobre a pobreza, aprovado em plenário por aclamação, tendo ficado alguns dos jovens de estudar agora a melhor publicitação.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O anticiganismo promotor de exclusão social...
37º ENCONTRO NACIONAL DA PASTORAL DOS CIGANOS
CONCLUSÕES
O anticiganismo promotor de exclusão social da qual são exemplos o Bairro das Pedreiras e outros semelhantes no país, deve ser substituído pela escuta dos anseios do povo cigano para a sua inclusão social e eclesial. Neste sentido, o empenho de todos, a trabalhar em rede, é decisivo na luta contra a discriminação, designadamente na habitação e no emprego e na promoção da escolarização. O cuidado espiritual e o apoio social que a Igreja e a sociedade prestam aos ciganos devem influir na opinião pública através da comunicação social. Os verdadeiros protagonistas da integração social e cultural dos ciganos são eles próprios. Os valores culturais dos ciganos devem ter expressão na presença evangelizadora da Igreja entre eles. O trabalho dos mediadores ciganos deve ser ampliado a todos os campos da sociedade e aos serviços prestados pela Igreja.
Promovido pela Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) em parceria com o Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana e Caritas de Beja, presidido por D. António Vitalino Fernandes Dantas, Bispo de Beja e Presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Beja, Dr. Jorge Pulido Valente, na Sessão de Abertura, realizou-se, de 19 a 21 de Novembro de 2010, o 37º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos, no Centro Pastoral do Seminário Diocesano de Beja. O Encontro contou com a presença de cerca de 50 participantes das Dioceses de Aveiro, Viana do Castelo, Porto, Portalegre-Castelo Branco, Lisboa, Setúbal e Beja, assim como dos membros da direcção nacional da ONPC, técnicos da Caritas de Beja, alguns ciganos e esteve aberto à participação da comunidade e de outras pessoas interessadas.
Da temática tratada, da riqueza de partilha entre os participantes e do contacto com a realidade cigana do Bairro das Pedreiras de Beja, os participantes chegaram às seguintes conclusões:
1 – Apesar das resoluções e recomendações existentes no país, com vista a proteger os direitos fundamentais dos ciganos, e das diversas iniciativas com vista à sua inclusão social, assim como das orientações da doutrina da Igreja nesse sentido, muitos são ainda objecto de actos de anticiganismo, discriminação racial e xenofobia, que criam obstáculos a uma integração e aceitação na sociedade e na Igreja.
2 – É necessário promover uma abertura à escuta dos anseios e desejos do povo cigano, a fim de que as soluções para a sua inclusão social e eclesial sejam soluções integradoras, que não piorem a situação de exclusão e marginalização em que se encontram, de que é exemplo o realojamento do Bairro das Pedreiras em Beja e outras situações semelhantes no país.
3 – No contexto do “Ano Europeu de luta contra a pobreza e a exclusão social”, constata-se que uma mudança é possível. A pobreza e a exclusão social não são inevitáveis, se forem enfrentadas com o empenho de todos, e se forem criadas condições capazes de oferecer soluções para erradicar a desfavorável situação social e económica dos ciganos. Um passo importante é a luta contra a discriminação no acesso ao emprego e à habitação.
4 – Os verdadeiros protagonistas da integração social e cultural dos ciganos são eles próprios. A escolarização dos jovens é o primeiro meio de promoção e integração. É indispensável favorecer uma escolarização de qualidade dos ciganos menores, pelo menos até completarem a escolaridade obrigatória, assim como apoiar a formação profissional e os estudos superiores e universitários dos jovens.
5 – A missão dos operadores pastorais entre os ciganos não se limita somente ao seu cuidado espiritual e ao apoio social, exige, também, um esforço de formação e sensibilização, dos membros da Igreja e da sociedade naquilo que se refere a opiniões e preconceitos sobre esta população. Tal esforço deve ser orientado, sobretudo, para aqueles que exercem influência sobre outros, em particular os meios de comunicação social.
6 – A Igreja tem um papel importante na promoção, apoio e defesa dos direitos dos indivíduos e dos grupos ciganos perante as diversas instituições locais, nacionais e internacionais. Do mesmo modo, a Igreja é chamada a empenhar-se em sanar a chaga do anticiganismo amplamente difundido na sociedade, com manifestações muitas vezes violentas e dramáticas.
7 – A presença evangelizadora da Igreja entre os Ciganos leva a constatar que estes, em geral, são muito religiosos e que a fé faz parte da sua vida e da sua cultura. Muitas vezes esses expressam as suas crenças e percursos religiosos com os valores que lhes são próprios, como por exemplo, no campo familiar e na relação com os idosos. A importância e o valor da família torna-se, particularmente evidente, no forte apoio recíproco e na solidariedade dos seus membros em casos de doença, preocupações ou luto.
8 – A celebração da fé, no seio da comunidade cigana, deve ser promovida segundo a sua sensibilidade e cultura, daí a importância de promover um conhecimento dos seus ritos, tradições e cultura, assim como, procurar na nossa fé o que pode ir ao encontro da sua sensibilidade religiosa. A valorização da cultura cigana, como por exemplo, a música, ajudará a promover o sentido de pertença. Também é importante promover o encontro ecuménico com as Igrejas que trabalham no seio da comunidade cigana.
9 – O testemunho, vivido como presença, participação e solidariedade, é um factor importante de pastoral, assim como é o ir ao encontro dos ciganos à luz do Evangelho, superando preconceitos, medos e percepções estereotipadas, mitos e justificações: a pessoa não é boa por natureza ou estatuto, da mesma forma que não é má por nascimento ou por pertencer a determinada etnia.
10 - O acolhimento nas comunidades paroquiais deve ser feito por pessoas devidamente preparadas. A Igreja tem o dever de investir nos ministérios de hospitalidade, nomeadamente a favor dos Ciganos. Um caminho sugerido é a realização, nas paróquias, de um ministério, não ordenado, de hospitalidade e acolhimento. O acolhimento oferecido pela Igreja deve estar integrado na acção pastoral, bem ponderada e autêntica, comunicada com calor e afecto. A pessoa ou a família cigana deve perceber a atitude de acolhimento, de respeito e amizade, que lhe é oferecida.
11 - As relações de amizade interpessoais promovem a confiança mútua. Trata-se de relações baseadas no respeito recíproco, no conhecimento pessoal, no acolhimento e no reconhecimento das diferenças de identidade. Neste âmbito, é oportuno difundir e promover o conhecimento da figura e das virtudes do beato cigano Zeferino Giménez Malla, apresentando-o como modelo de santidade, conquistada através da doação da própria vida para defender o seu amigo e a sua devoção ao rosário.
12 – Torna-se um imperativo para os cristãos começar a olhar o mundo dos ciganos com amor, conscientes de que até agora não se tem sido suficientemente capazes de fazê-lo, do mesmo modo que, à luz do Evangelho, são chamados a interiorizar e a recordar que os Ciganos são irmãos e irmãs em Cristo e que a persistente segregação que estes sofrem, é sofrida pelo próprio Cristo.
13 – O trabalho dos “Mediadores Ciganos”, nas escolas, autarquias, hospitais…, é indispensável para a inclusão dos ciganos, para que possam aceder aos direitos que a sociedade lhes oferece e para os ajudar a cumprir os deveres que têm para com a sociedade. É importante que se promova a presença dos mediadores em todos os campos da sociedade como também nos serviços prestados pela Igreja.
14 - Encorajamos os esforços para alargar, o mais possível, o trabalho de rede sobre o território a favor dos ciganos, envolvendo as autarquias e entidades locais, as instituições, as escolas, as comunidades cristãs, as associações, o voluntariado... Todos são chamados a desenvolver as suas competências e responsabilidades, não de modo isolado, mas valorizando, o mais possível, as sinergias que nascem da colaboração, das ideias, da criatividade e, sobretudo, da boa vontade.
15 – O Encontro de 2011 será acolhido pelo Secretariado da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, e realizar-se-á de 18 a 20 de Novembro.
Beja, 21 de Novembro de 2010
CONCLUSÕES
O anticiganismo promotor de exclusão social da qual são exemplos o Bairro das Pedreiras e outros semelhantes no país, deve ser substituído pela escuta dos anseios do povo cigano para a sua inclusão social e eclesial. Neste sentido, o empenho de todos, a trabalhar em rede, é decisivo na luta contra a discriminação, designadamente na habitação e no emprego e na promoção da escolarização. O cuidado espiritual e o apoio social que a Igreja e a sociedade prestam aos ciganos devem influir na opinião pública através da comunicação social. Os verdadeiros protagonistas da integração social e cultural dos ciganos são eles próprios. Os valores culturais dos ciganos devem ter expressão na presença evangelizadora da Igreja entre eles. O trabalho dos mediadores ciganos deve ser ampliado a todos os campos da sociedade e aos serviços prestados pela Igreja.
Promovido pela Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) em parceria com o Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana e Caritas de Beja, presidido por D. António Vitalino Fernandes Dantas, Bispo de Beja e Presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Beja, Dr. Jorge Pulido Valente, na Sessão de Abertura, realizou-se, de 19 a 21 de Novembro de 2010, o 37º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos, no Centro Pastoral do Seminário Diocesano de Beja. O Encontro contou com a presença de cerca de 50 participantes das Dioceses de Aveiro, Viana do Castelo, Porto, Portalegre-Castelo Branco, Lisboa, Setúbal e Beja, assim como dos membros da direcção nacional da ONPC, técnicos da Caritas de Beja, alguns ciganos e esteve aberto à participação da comunidade e de outras pessoas interessadas.
Da temática tratada, da riqueza de partilha entre os participantes e do contacto com a realidade cigana do Bairro das Pedreiras de Beja, os participantes chegaram às seguintes conclusões:
1 – Apesar das resoluções e recomendações existentes no país, com vista a proteger os direitos fundamentais dos ciganos, e das diversas iniciativas com vista à sua inclusão social, assim como das orientações da doutrina da Igreja nesse sentido, muitos são ainda objecto de actos de anticiganismo, discriminação racial e xenofobia, que criam obstáculos a uma integração e aceitação na sociedade e na Igreja.
2 – É necessário promover uma abertura à escuta dos anseios e desejos do povo cigano, a fim de que as soluções para a sua inclusão social e eclesial sejam soluções integradoras, que não piorem a situação de exclusão e marginalização em que se encontram, de que é exemplo o realojamento do Bairro das Pedreiras em Beja e outras situações semelhantes no país.
3 – No contexto do “Ano Europeu de luta contra a pobreza e a exclusão social”, constata-se que uma mudança é possível. A pobreza e a exclusão social não são inevitáveis, se forem enfrentadas com o empenho de todos, e se forem criadas condições capazes de oferecer soluções para erradicar a desfavorável situação social e económica dos ciganos. Um passo importante é a luta contra a discriminação no acesso ao emprego e à habitação.
4 – Os verdadeiros protagonistas da integração social e cultural dos ciganos são eles próprios. A escolarização dos jovens é o primeiro meio de promoção e integração. É indispensável favorecer uma escolarização de qualidade dos ciganos menores, pelo menos até completarem a escolaridade obrigatória, assim como apoiar a formação profissional e os estudos superiores e universitários dos jovens.
5 – A missão dos operadores pastorais entre os ciganos não se limita somente ao seu cuidado espiritual e ao apoio social, exige, também, um esforço de formação e sensibilização, dos membros da Igreja e da sociedade naquilo que se refere a opiniões e preconceitos sobre esta população. Tal esforço deve ser orientado, sobretudo, para aqueles que exercem influência sobre outros, em particular os meios de comunicação social.
6 – A Igreja tem um papel importante na promoção, apoio e defesa dos direitos dos indivíduos e dos grupos ciganos perante as diversas instituições locais, nacionais e internacionais. Do mesmo modo, a Igreja é chamada a empenhar-se em sanar a chaga do anticiganismo amplamente difundido na sociedade, com manifestações muitas vezes violentas e dramáticas.
7 – A presença evangelizadora da Igreja entre os Ciganos leva a constatar que estes, em geral, são muito religiosos e que a fé faz parte da sua vida e da sua cultura. Muitas vezes esses expressam as suas crenças e percursos religiosos com os valores que lhes são próprios, como por exemplo, no campo familiar e na relação com os idosos. A importância e o valor da família torna-se, particularmente evidente, no forte apoio recíproco e na solidariedade dos seus membros em casos de doença, preocupações ou luto.
8 – A celebração da fé, no seio da comunidade cigana, deve ser promovida segundo a sua sensibilidade e cultura, daí a importância de promover um conhecimento dos seus ritos, tradições e cultura, assim como, procurar na nossa fé o que pode ir ao encontro da sua sensibilidade religiosa. A valorização da cultura cigana, como por exemplo, a música, ajudará a promover o sentido de pertença. Também é importante promover o encontro ecuménico com as Igrejas que trabalham no seio da comunidade cigana.
9 – O testemunho, vivido como presença, participação e solidariedade, é um factor importante de pastoral, assim como é o ir ao encontro dos ciganos à luz do Evangelho, superando preconceitos, medos e percepções estereotipadas, mitos e justificações: a pessoa não é boa por natureza ou estatuto, da mesma forma que não é má por nascimento ou por pertencer a determinada etnia.
10 - O acolhimento nas comunidades paroquiais deve ser feito por pessoas devidamente preparadas. A Igreja tem o dever de investir nos ministérios de hospitalidade, nomeadamente a favor dos Ciganos. Um caminho sugerido é a realização, nas paróquias, de um ministério, não ordenado, de hospitalidade e acolhimento. O acolhimento oferecido pela Igreja deve estar integrado na acção pastoral, bem ponderada e autêntica, comunicada com calor e afecto. A pessoa ou a família cigana deve perceber a atitude de acolhimento, de respeito e amizade, que lhe é oferecida.
11 - As relações de amizade interpessoais promovem a confiança mútua. Trata-se de relações baseadas no respeito recíproco, no conhecimento pessoal, no acolhimento e no reconhecimento das diferenças de identidade. Neste âmbito, é oportuno difundir e promover o conhecimento da figura e das virtudes do beato cigano Zeferino Giménez Malla, apresentando-o como modelo de santidade, conquistada através da doação da própria vida para defender o seu amigo e a sua devoção ao rosário.
12 – Torna-se um imperativo para os cristãos começar a olhar o mundo dos ciganos com amor, conscientes de que até agora não se tem sido suficientemente capazes de fazê-lo, do mesmo modo que, à luz do Evangelho, são chamados a interiorizar e a recordar que os Ciganos são irmãos e irmãs em Cristo e que a persistente segregação que estes sofrem, é sofrida pelo próprio Cristo.
13 – O trabalho dos “Mediadores Ciganos”, nas escolas, autarquias, hospitais…, é indispensável para a inclusão dos ciganos, para que possam aceder aos direitos que a sociedade lhes oferece e para os ajudar a cumprir os deveres que têm para com a sociedade. É importante que se promova a presença dos mediadores em todos os campos da sociedade como também nos serviços prestados pela Igreja.
14 - Encorajamos os esforços para alargar, o mais possível, o trabalho de rede sobre o território a favor dos ciganos, envolvendo as autarquias e entidades locais, as instituições, as escolas, as comunidades cristãs, as associações, o voluntariado... Todos são chamados a desenvolver as suas competências e responsabilidades, não de modo isolado, mas valorizando, o mais possível, as sinergias que nascem da colaboração, das ideias, da criatividade e, sobretudo, da boa vontade.
15 – O Encontro de 2011 será acolhido pelo Secretariado da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, e realizar-se-á de 18 a 20 de Novembro.
Beja, 21 de Novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Notícias do Projecto
A Exposição "Retalhos de outras vidas", com fotografias feitas por utentes dos Centros de ATL, está até ao final desta semana na Câmara Municipal de Castanheira de Pêra, no edifício dos Paços do Concelho, e na Biblioteca do Município de Tábua. A Exposição afirma-se como uma das iniciativas de grande qualidade do Projecto Verde Pino.
Na acção "Workshops", estivemos esta semana na Pampilhosa da Serra. Ressaltaram os problemas associados à pobreza da população idosa e do interior, nomeadamente, a solidão, a desertificação e as distâncias, distâncias que contam muito sobretudo na saúde.
Na acção "Workshops", estivemos esta semana na Pampilhosa da Serra. Ressaltaram os problemas associados à pobreza da população idosa e do interior, nomeadamente, a solidão, a desertificação e as distâncias, distâncias que contam muito sobretudo na saúde.
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