terça-feira, 20 de julho de 2010

História do Trem da História

Há uns anos atrás um padre brasileiro fez furor entre os adolescentes e jovens (católicos) portugueses: o Pe Zezinho. A razão desse furor é simples: as suas cantigas, de fundo religioso, eram à medida dos sonhos adolescentes. Nada a criticar. Além das cantigas, o Pe Zezinho publicou alguns pequenos livros, ainda à medida "adolescente". E porque não?! Revivalista e em estilo já de blog de verão, o Verde Pino traz-vos, dum desses livros ("Ensina-me a ser pobre de verdade"), o texto que segue (no brasileiro original!!!):

No trem da história alguns homens
e povos mais espertos ou mais
privilegiados tomaram
conta dos
vagões da primeira classe.

Aos pobres ficaram reservados os de segunda.

É neles que devem apinhar-se com
a comida que sobra dos vagões
de primeira.
Como sonham chegar, não podem
descer em parte alguma.
A alternativa seria fazer um motim,
apossar-se do trem e
depois distribuir os lugares e
a comida de maneira equitativa;
mas sabem que é impossível.
Suas armas não atingiriam
a primeira classe, que, por sua
vez, esmagaria qualquer tentativa
de assalto.
Assim, no desgovernado trem da história,
que faz tempo dispensou
o maquinista, em velocidade
incrível e estúpida viajam
ricos e pobres.

E é a insensibilidade dos que
vivem na primeira classe
que levará o mundo à
catástrofe.

Desde o dia em que amordaçaram
o chefe do trem, acabou a
ordem e a justiça.
Mas chegará o dia em que os
ricos dormirão de tanto comer.
naquele dia vai haver um desastre.
Os pobres querem o trem e não
descansarão enquanto o
trem não for de todos.

(Pe Zezinho)

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